Breivik sabia o que estava fazendo

Marcos Guterman

10 de abril de 2012 | 18h24

O terrorista Anders Breivik é aquele direitista islamofóbico que matou 77 pessoas na Noruega ano passado. Em comunicado recente, ele se classifica como “ativista político” e diz que não é louco. O diagnóstico foi confirmado por psiquiatras em uma segunda avaliação – uma análise anterior havia determinado que ele não era mentalmente são, e a Justiça deverá levar em conta os dois relatórios no julgamento que começa na segunda-feira que vem.

Breivik diz que chamá-lo de doente mental é a “pior humilhação” que ele sofreu no caso. O terrorista tem um argumento para justificar sua ação e pretende expô-lo no tribunal: em sua opinião, o islamismo está prestes a tomar o poder na Noruega, e o Partido Trabalhista (centro-esquerda) está por trás da conspiração com os imigrantes muçulmanos para levar esse projeto adiante. É mais ou menos o que Hitler fez quando foi julgado, em 1924, após tentativa de golpe no ano anterior: usou o banco dos réus como tribuna para denunciar a “facada nas costas” que a Alemanha havia levado de seu inimigo interno, o bolchevismo judaico, que em sua opinião havia tomado o poder para destruir o país.

Hitler recebeu o apoio de muita gente. Não é improvável que Breivik tenha recepção semelhante.

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