Bombas de fragmentação: por que o Brasil não bane?

Marcos Guterman

08 de dezembro de 2008 | 00h07


Bomba de fragmentação: civis como alvo

O governo Lula se absteve de votar a favor do banimento das bombas de fragmentação – aquelas que, quando explodem, espalham a morte e a mutilação por uma área maior do que as bombas comuns, atingindo civis.

O Brasil é produtor e exportador dessas bombas, o que explica o veto, mas não o justifica. Em nome de bons contratos, ou seja lá do que for, perdemos a chance de nos juntar à grande maioria do mundo que condena esse tipo de armamento.

O Brasil, assim, alinhou-se a EUA, Israel, China e Rússia na recusa em banir uma munição que, no dizer de Janio de Freitas, na Folha de ontem, “teria feito gozo dos exércitos nazistas”. Para o colunista, a posição brasileira foi produto do “Brasil escondido, que alimenta a barbárie e serve à morte”. Difícil não concordar.

O chanceler Celso Amorim justificou a posição brasileira com uma chicana diplomática: afirmou que o tratado não foi formalizado no âmbito da ONU. Se no futuro houver uma iniciativa nas Nações Unidas que dê tempo para que os países produtores se adaptem, disse Amorim, o Brasil poderá repensar sua posição.

A coluna de Janio de Freitas pode ser lida aqui (só para assinantes da Folha).


Vítima de bomba de fragmentação: sem chance de escapar

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.