Battisti e os conceitos de "justiça"

Marcos Guterman

09 de junho de 2011 | 09h52

O terrorista italiano Cesare Battisti está livre e já pode tomar sorvete no calçadão de Copacabana, assim que o tempo melhorar. O Supremo Tribunal Federal, principal instância judicial do Brasil, entendeu que não pode opinar sobre o caso, nem mesmo sobre qual sabor de sorvete Battisti deve escolher. Tudo isso significa que consideramos a Itália um país medieval, incapaz de julgar seus cidadãos adequadamente por crimes cometidos em seu território. Já a Justiça brasileira, como sabemos, é exemplar.

Tirante os rapapés togados, resta a decisão política de criar uma crise diplomática com a Itália apenas para proteger um criminoso cujo álibi é ser ideologicamente alinhado com apaniguados do lulismo. Sua libertação será tratada como grande vitória da “justiça” por parte dos profetas do “outro mundo possível” – um mundo em que crimes são transformados em atos heroicos se forem cometidos em nome da “libertação dos povos”.

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