Avigdor Lieberman, o monstro irrelevante

Marcos Guterman

21 de julho de 2009 | 00h07

Um visitante vai ao zoológico e vê um carneiro na mesma jaula do lobo. Intrigado, pergunta ao administrador como é possível manter a boa convivência entre um carneiro e um lobo. “É fácil”, responde o administrador. “Colocamos um carneiro novo todos os dias na jaula.”

Essa é uma piadinha contada pelo chanceler de Israel, Avigdor Lieberman, e que de certa forma resume como ele vê a diplomacia – para Lieberman, acalentar a possibilidade de convivência pacífica entre inimigos naturais é uma forma de auto-engano.

É esse o representante que Israel mandou ao Brasil, o primeiro a visitar o país em muito tempo. Dá a medida dos ruídos nas relações entre Brasil e Israel nos últimos anos – basta lembrar que Lula, no poder desde 2003, ainda não foi a Israel como presidente, aproximou-se do mundo árabe e apóia o anti-semita militante Mahmoud Ahmadinejad.

Fora a sinalização da insatisfação israelense com a política brasileira para o Oriente Médio, a visita de Lieberman ao Brasil é irrelevante. O chanceler, envolvido em diversos escândalos e notório por seu constrangedor discurso proto-fascista, é praticamente uma figura decorativa no governo de Israel, ofuscada por gente de calibre diplomático muito superior, como Shimon Peres.

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