As mulheres afegãs estão apavoradas

Marcos Guterman

11 Maio 2010 | 23h34

Duas americanas – a cientista política Valerie Hudson e a consultora de comunicação Patricia Leidl– escreveram um duro artigo na Foreign Policy no qual acusam o governo dos EUA de abandonar as mulheres do Afeganistão. Logo as mulheres, cuja “libertação” foi a imagem mais usada pelo então presidente americano, George W. Bush, para justificar a invasão do país.

Em 2002, Bush disse ao Congresso dos EUA: “Na última vez em que eu estive nesta Casa, as mães e filhas do Afeganistão eram cativas em suas próprias casas, proibidas de trabalhar e de ir à escola. Hoje as mulheres são livres e são parte do novo governo afegão”. Mas isso é passado, dizem Valerie e Patricia.

Desde as últimas eleições, segundo elas, todas as principais iniciativas para proteger as mulheres e incluí-las na vida civil do país foram abandonadas ou enfraquecidas. O pior, afirmam, é que as conversas segundo as quais integrantes “moderados” do Taleban podem ser admitidos no governo têm deixado as afegãs apavoradas. “Se você usa burca, não existe esse negócio de ‘Taleban moderado’”, diz o artigo, que lembra todas as atrocidades cometidas pelos fundamentalistas islâmicos contra as mulheres do Afeganistão. “Estamos criando uma vergonhosa tradição americana de não melhorar a condição das mulheres ou então de piorá-la nos países nos quais intervimos.”