Americano vê histeria do Brasil no caso Chevron

Marcos Guterman

29 de março de 2012 | 01h00

O comentarista conservador americano Ken Blackwell escreveu um artigo para a Reuters em que critica duramente a reação do Brasil ao vazamento em poço de petróleo explorado pela Chevron no litoral fluminense. Para ele, as autoridades brasileiras impuseram “uma das extorsões mais vergonhosas de uma empresa americana por um país na história recente”, e isso pode constranger as companhias americanas que investem no exterior.

Na opinião de Blackwell, somente uma minúscula quantidade de óleo vazou no campo operado pela Chevron, “menos de 0,1% do tamanho do vazamento da BP no Golfo do México”, sem causar prejuízo de nenhuma espécie. Apesar disso, comentou ele, em vez de sentar e discutir com os executivos da petroleira maneiras de prevenir acidentes futuros, as autoridades do Brasil preferiram agir como um “cão raivoso avançando sobre um hotdog”.

Blackwell criticou duramente a exigência de uma indenização “grande o bastante para financiar a economia da maioria das nações da América Central” e o pedido de prisão contra executivos da Chevron, lembrando que a Petrobrás já vazou muito mais petróleo e seus diretores não estão ameaçados de ir para a cadeia.

O comentarista considera que o Brasil está dando um tiro no pé, ao assustar um investidor por causa de um pequeno incidente ambiental justamente no momento em que ganha a ribalta internacional: “Por que os líderes brasileiros passam vergonha ao maltratar um parceiro de negócios estabelecido e ameaçar a própria prosperidade econômica da nação?”. Blackwell vê, por trás disso, interesses inconfessáveis de políticos e burocratas do governo.

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