Alemanha: o passado ainda assombra

Marcos Guterman

25 de outubro de 2010 | 17h57

Um grupo de historiadores alemães concluiu um estudo que mostra a extensão da colaboração do Ministério das Relações Exteriores do país na Shoah – o extermínio dos judeus da Europa. O levantamento foi feito a pedido do então ministro Joschka Fischer, em 2005, a título de estabelecer o tamanho do envolvimento dos diplomatas alemães, porque ele não queria que ex-nazistas convictos fossem homenageados. O resultado não é nada abonador.

Segundo a comissão, citada pela revista Der Spiegel, o extermínio dos judeus era uma “área de atuação” da diplomacia, em toda a Europa. “O ministério era uma organização criminosa”, disse o líder das pesquisas, Eckart Conze, usando um termo normalmente associado à SS, a tropa de elite nazista que executou a Shoah.

Além disso, diplomatas que atuaram no pós-guerra tinham muito mais ligação com o massacre do que podiam admitir. O chanceler Konrad Adenauer permitiu que eles permanecessem no ministério mesmo sabendo disso. “Diplomatas com passado nazista foram enviados a países árabes e à América Latina, onde não seriam criticados publicamente”, diz a Spiegel.

A revista, porém, afirma que o trabalho dos historiadores tem algumas falhas importantes, como generalizar o envolvimento “dos diplomatas”, como se fossem a maioria. Faltam, ainda, provas desse envolvimento em muitos casos citados. De qualquer maneira, o Ministério das Relações Exteriores alemão se disse feliz com o resultado, porque não pode haver espaço para nenhum tipo de concessão histórica no que diz respeito ao nazismo. Como diz a Spiegel, porém, outros ministérios até hoje não fizeram esse mergulho doloroso em seu passado.

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