Ainda há gente capaz de se indignar

Marcos Guterman

20 de abril de 2009 | 18h33

Como previsto, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, usou nesta segunda-feira o palanque franqueado pela ONU para destilar seu ódio anti-semita. Sem surpresas.

O surpreendente foi a reação de muitos diplomatas ocidentais que, enojados, deixaram em massa a sala onde Ahmadinejad discursava. Surpreendente porque, no mundo da diplomacia, a práxis é manter abertas as portas do diálogo mesmo com o pior inimigo. No caso de Ahmadinejad, porém, os diplomatas já sabem que é perda de tempo tentar discutir, porque a estratégia do iraniano é simples: usar a questão palestina como ferramenta de seus projetos de poder regionais, que se baseiam na desmoralização e eventual destruição de Israel. Restaram os gestos simbólicos de repúdio, e foi isso o que esses corajosos diplomatas fizeram na ONU.

A alta comissária da ONU para direitos humanos, Navi Pillay, se disse “chocada” com Ahmadinejad. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que foi uma “experiência perturbadora”.

Abaixo, a cena completa. Não é preciso saber farsi para entender tudo. É um registro histórico – prova de que ainda há gente capaz de se indignar com a perfídia.

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