A xenofobia palestina, agora em versos

Marcos Guterman

06 de dezembro de 2011 | 14h42

O poeta palestino Najwan Darwish, de 33 anos, recusou-se a participar de um evento em Marselha (França) que incluía o escritor israelense Moshe Sakal, de 35. O debate era sobre a chamada “primavera árabe”, série de eventos que supostamente apontam para a abertura democrática nos países árabes.

Darwish disse que aceitou o convite para o evento com a condição de não dividir a mesa com nenhum israelense. Segundo Sakal, o palestino o acusou de “expulsá-lo de casa” e disse que os judeus de origem árabe – a família de Sakal é síria e egípcia – particularmente odeiam os palestinos.

O escritor israelense, que se retirou da conferência, lamentou a atitude de Darwish, sobretudo porque o palestino parece não conhecer seus pontos de vista – Sakal é crítico das atitudes xenófobas de parte da sociedade israelense e defensor do diálogo com outras culturas. Em entrevista ao Haaretz, em março passado, ele declarou:

“Temos (os israelenses) de decidir se queremos uma cultura separatista, um tipo de cultura monolinguística, uma autarquia monocultural dentro de um círculo estéril, fechado e isolado, que vai necessariamente levar a uma arte xenófoba, obcecada pela perseguição; ou se vamos buscar uma cultura orgulhosa que preserva sua singularidade, mas também sabe olhar ao redor e que não tenha medo de buscar contato com as culturas do mundo”.

Talvez a mesma indagação possa ser feita pelos artistas palestinos, sobretudo os jovens como Darwish, a respeito do que eles querem para seu futuro Estado. Mas a atitude de Darwish é um mau presságio.

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