A vuvuzela e o politicamente correto

Marcos Guterman

14 de junho de 2010 | 17h54

Se há uma unanimidade nesta Copa, é a chateação por causa da vuvuzela. A imprensa em geral, porém, lida com o assunto como se estivesse pisando em ovos – afinal, dizem os antropólogos de boteco, trata-se de um “traço cultural” sul-africano e, portanto, deve ser liberado sem restrições na Copa dos sul-africanos.

A tal corneta, quando tocada por milhares de pessoas ao mesmo tempo, gera o som de um enxame de abelhas, monocórdio e entediante. Não se ouve a torcida propriamente dita, que é parte essencial da emoção do jogo. Partidas que já são monótonas se transformam em suplício; por outro lado, quando há tensão, que normalmente se traduz em silêncios ou em urros dos torcedores, tudo isso fica em segundo plano e não se nota a diferença entre um chute na trave e uma cobrança de lateral. Na feliz definição de Marcos Augusto Gonçalves na Folha, a vuvuzela é uma expressão totalitária, porque iguala tudo.

Falar disso, porém, é correr o risco de ferir os códigos do politicamente correto – afinal, a vuvuzela deve ser preservada em nome da tal “diversidade”, mesmo que o mundo inteiro se aborreça com isso.

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