A vida sem o Google

Marcos Guterman

23 de março de 2010 | 00h01

A maioria das pessoas que navegam na internet no mundo acredita ser impossível viver sem o Google. Para o governo da China, não é.

Depois da decisão do Google de fechar seu site de buscas na China, por discordar da política de censura local, os porta-vozes da ditadura do Partido Comunista Chinês trataram rapidamente de minimizar o caso. Para um editor da agência oficial Xinhua, se o Google é assim tão poderoso, “a coisa definitivamente pode ser vista como um choque cultural entre o Ocidente e o Oriente, e governo chinês não pode simplesmente ficar observando tudo sentado”.

Depois de dizer que a China não rejeita a cultura ocidental, o editor procurou demonstrar que o problema é a “arrogância” do Google, que, em sua opinião, age conforme as potências coloniais do século 19 em relação ao então império chinês. Primeiro, diz o texto, o Google ganhou um terço do mercado local e “pensou que tinha dominado a vida dos chineses”; em seguida, por causa desse raciocínio, quis que o governo mudasse sua política para a internet. Para a Xinhua, o Google “desafiou a soberania chinesa ao exigir que o governo aceitasse a definição do Google para abertura”.

E, por falar em arrogância, o problema todo, afirma o comentarista, é que “os países ocidentais têm medo de serem dominados pela China um dia”.

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