A soldado de Abu Ghraib: “Não devo desculpas”

Marcos Guterman

19 de março de 2012 | 18h11

Lynndie England, hoje com 29 anos, ficou mundialmente conhecida, em 2004, por aparecer em fotos divertindo-se à custa da humilhação de prisioneiros iraquianos na infame prisão de Abu Ghraib. Em recente entrevista ao jornal The Daily, England diz, porém, que não tem de pedir desculpas a ninguém e que os prisioneiros hoje levam uma vida melhor do que a dela.

“A vida deles é melhor. Eles ficaram com a melhor parte do acordo. Eles não eram inocentes. Eles estavam lá por alguma razão. Eles estavam tentando nos matar, e você quer que eu peça desculpas?”

England e outros dez soldados americanos foram punidos por causa do episódio. Ela pegou 521 dias de reclusão numa prisão militar. Hoje, não consegue arranjar emprego, por causa de seu passado, e tem dificuldade para criar Carter, o filho que teve com Charles Graner, o soldado que liderou os abusos de Abu Ghraib. O menino tem agora 7 anos, e Graner não reconhece a paternidade, apesar dos exames indicarem o contrário. “Eu amei Graner. Hoje não suporto nem pensar nele”, diz a ex-soldado.

Sofrendo de estresse pós-traumático, de paranoia e de insônia, ela decidiu não tomar mais os remédios nem continuar o tratamento psiquiátrico. Seu maior drama, diz, é pensar o tempo todo que o que ela fez em Abu Ghraib está servindo de motivação para que soldados americanos sejam mortos.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: