A Síria espera por uma “Flotilha da Liberdade”

Marcos Guterman

09 de maio de 2011 | 21h39

O site Now Lebanon oferece uma janela para os acontecimentos da Síria. São atualizações dramáticas sobre a duríssima repressão do ditador Bashar Assad. Numa delas, informa-se:

“Daraa ainda está sob cerco, e o Exército e os tanques estão nas ruas em Daraa al-Mahatta. A situação melhorou um pouco, porque as mulheres tiveram autorização para ir ao mercado por três horas, mas não há nada no mercado. As lojas estão todas fechadas. Eletricidade só está disponível por três horas diárias. Não há água em Daraa Al-Mahatta. As telecomunicações estão cortadas em toda a província de Daraa, sem exceção. Eletricidade, água, comida e comunicações ainda estão cortadas em Daraa Al-Balad. O lixo está nas ruas, e os atiradores ainda estão no alto dos minaretes das mesquitas e nos telhados dos prédios. O Exército e as forças de segurança não se retiraram de Daraa”.

Noutra, se diz:

“A cidade de Daeel, na província de Houran, ainda está sob cerco militar, e centenas de pessoas estão presas em casa, em meio a ataques que começaram ontem à noite e que continuam. As casas estão sendo sistematicamente invadidas e algumas foram saqueadas”.

A narrativa angustiante de um povo sob intenso ataque de seu próprio governo prossegue indefinidamente.

Mas os sírios não têm com o que se preocupar. Em breve, bravos pacifistas certamente estarão lotando flotilhas para denunciar o “campo de concentração” em que se transformou parte da Síria, desafiando o cerco para entregar os mantimentos de que os sírios tanto necessitam.