A “Primavera Árabe” e o inverno da democracia

Marcos Guterman

10 de outubro de 2011 | 22h39

O ataque a manifestantes cristãos coptas que protestavam contra o incêndio de uma igreja por muçulmanos no Egito não algo é incomum no país. Mas é notável o fato de que o massacre tenha ocorrido depois da queda do tirano Mubarak, em cuja conta se debitava todo tipo de crueldade contra as minorias religiosas. Parece que o problema da sociedade egípcia não era só a ditadura.

A manutenção da hostilidade a cristãos no Egito não combina com a imagem de um país que emergiu de sua “primavera” como uma promessa de democracia. Uma explicação possível para essa dissonância é que o Exército, que está no poder e lá ficará pelo menos até o final de 2012, não está habituado com discordâncias e não tem ideia de como dispersar multidões sem massacrá-las.

Outra explicação é que talvez a decantada abertura egípcia tenha sido apenas um delírio ocidental.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.