A pirotecnia retórica de Lula sobre Cuba

Marcos Guterman

14 Julho 2010 | 18h40

O presidente Lula disse nesta quarta-feira que se sentiu muito “feliz” com a libertação dos presos políticos cubanos. Já é um avanço que Lula tenha admitido a existência de presos políticos na ilha de seu amigo Fidel Castro – basta lembrar a deselegância do presidente ao comparar os dissidentes encarcerados aos presos comuns de São Paulo. Mas à ligeira concessão de Lula à defesa dos direitos humanos na ilha seguiu-se um curioso malabarismo retórico para justificar a leniência brasileira diante das óbvias violações cometidas em Cuba.

Questionado sobre por que seu governo não participou da pressão sobre Havana para libertar os presos políticos – papel que coube à Espanha e à Igreja Católica –, Lula disse que não é adepto da “pirotecnia”. Ou seja: na prática, além de admitir sua omissão, o presidente ainda relativizou o trabalho daqueles que se engajaram no esforço de constranger Cuba a ceder.

Para piorar, Lula incluiu o governo cubano entre os que mereciam os “parabéns” pelo desfecho do caso, como se a chave dos porões cubanos não estivesse no bolso do companheiro Raúl Castro e como se Cuba ainda não tivesse mais de cem presos políticos.

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