A pichação do Cristo e o crime de lesa-razão

Marcos Guterman

17 de abril de 2010 | 00h54

Um imbecil pichou o Cristo Redentor por esses dias. Deixou mensagens sobre uma engenheira e ainda se gabou: “Quando os gatos saem, os ratos fazem a festa”. Vandalismo assim, como diria Norbert Elias, é a prova de que a civilização não é um traço natural do homem, e sim uma dura conquista, que deve ser cultivada diariamente.

Dito isso, a reação do prefeito do Rio, Eduardo Paes, foi exagerada. No afã de qualificar a gravidade do caso, um crime contra o patrimônio público, ele declarou que o pichador havia cometido “crime de lesa-pátria”. Como se sabe, crime de lesa-pátria é o atentado contra o poder soberano de um Estado – e, até onde se tem notícia, Cristo nada tem a ver com isso.

Pode-se argumentar que Paes quis apenas usar uma figura de linguagem, dada a importância da estátua para a cultura nacional. Considerando que nem todos os brasileiros são cristãos, porém, é o caso de perguntar a que “pátria” o prefeito estava se referindo.

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