A pergunta de US$ 1 trilhão

Marcos Guterman

25 de fevereiro de 2009 | 00h47

Estatizar ou não estatizar bancos em dificuldade? Essa pergunta tem consumido o humor dos economistas americanos nas últimas semanas, entre outras razões porque “estatizar” é uma palavra feia nos EUA.

Paul Krugman, Nobel de Economia, é a favor: “Por que simplesmente não ir adiante e nacionalizar? Lembrem-se, quanto mais tempo vivermos com bancos-zumbis, mais difícil será encerrar a crise econômica”.

Os motivos, segundo Krugman, são três:

1)Os bancos estão no seu limite;
2)Os bancos têm de ser resgatados, para evitar o efeito-dominó no sistema financeiro;
3)O governo deve resgatar os bancos, mas o Estado não deve arcar com os dividendos aos acionistas desses bancos, como costuma acontecer. Assim, o melhor é o próprio governo ser acionista, ainda que temporariamente.

William Isaac, que chefiou o órgão responsável pela recapitalização de bancos durante a crise nos anos 80, é contra: “O governo Obama deveria deixar claro imediatamente que essa opção não é viável”.

Os motivos, segundo Isaac, são igualmente três:

1)Os bancos teriam de diminuir drasticamente de tamanho. Em meio a uma enorme crise de crédito, isso seria um desastre;
2)Não há “estratégia de saída” após a nacionalização. Quem assumiria os bancos depois da estatização? Investidores estrangeiros não poderiam, por causa da lei;
3)Os administradores dos bancos estatizados teriam de ser trocados. Quem aceitaria trabalhar nessas instituições com a violenta restrição aos bônus determinada por Obama?

Nesta terça-feira, o presidente do Fed (banco central dos EUA), Ben Bernanke, aparentemente descartou a possibilidade da nacionalização.

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