A ONU mostra por que o “acordo” com o Irã é uma farsa

Marcos Guterman

31 Maio 2010 | 23h07

A Agência Internacional de Energia Atômica, da ONU, afirmou que o Irã tem quase duas toneladas e meia de urânio enriquecido. A informação mostra que o “acordo” obtido pelo Brasil e pela Turquia no Irã não representa nada, senão o desejo iraniano de enganar os tolos.

O tal “acordo”, como se sabe, prevê o envio de 1,2 tonelada de urânio iraniano ao exterior e sua troca por material nuclear enriquecido para uso médico. A iniciativa repete os termos do acerto entre as potências mundiais e o Irã oito meses antes – defendido pelos EUA na época porque, em tese, deixaria os iranianos sem urânio suficiente para fazer a bomba. O Irã posteriormente recuou desse acordo. Agora, Teerã diz aceitar os termos, num teatro montado com Lula e o premiê turco, Recep Erdogan. Os americanos, russos e chineses não engoliram a farsa porque desconfiavam que o Irã passara a ter muito mais material nuclear do que declarava. A ONU acaba de lhes dar razão. Mais do que isso: o relatório mostra como os iranianos não cooperam com os inspetores da AIEA, negando-lhes acesso a instalações nucleares e deixando de responder às questões técnicas mais significativas.

Diante disso, resta reproduzir as palavras de Avner Cohen, historiador israelense que é malvisto pelo governo de Israel por ter dissecado o programa nuclear do país. Disse ele à Folha, a respeito do “acordo” entre Brasil, Turquia e Irã:

“É um mau acordo, que foi obtido por amadores com o objetivo de descarrilar o trem das sanções na ONU. Uma manobra para permitir que o Irã ganhasse tempo. Nem o premiê da Turquia nem o distinto presidente do Brasil têm experiência em negociações nucleares. É um acordo risível feito por amadores tentando marcar pontos na arena internacional. Superficialmente o acordo se parece com a proposta de outubro de 2009, mas na realidade tem muitos buracos e temas não resolvidos”.

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