A maldição de Sylvia Plath

Marcos Guterman

23 de março de 2009 | 16h08


Sylvia e os filhos: tormento

Nicholas Hughes, filho da poeta americana Sylvia Plath, seguiu os passos da mãe e se suicidou. A informação foi dada pela irmã de Nicholas, Frieda. Ela disse que o Nicholas não suportou a depressão e se enforcou.

Sylvia Plath se matou em 1963, quando tinha 30 anos. Ela colocou os filhos para dormir – Nicholas estava com 1 ano, e Frieda, com 2 – e lhes deixou leite e pão, selando o quarto para que eles não respirassem o gás que a mataria.

A perturbadora obra de Sylvia é reconhecida por esse traço fatalista, marcado principalmente depois da turbulenta relação com o poeta Ted Hughes, pai de seus filhos. O vigor de seus poemas contrastava com sua aparente elegância. Em poucos poetas a vida pessoal é tão ligada à obra, ao ponto de ser impossível dissociar uma coisa da outra.

Abaixo, o poema “Palavras”, com tradução de Ana Cristina César:

Axes
After whose stroke the wood rings,
And the echoes!
Echoes traveling
Off from the center like horses.

The sap
Wells like tears, like the
Water striving
To re-establish its mirror
Over the rock

That drops and turns,
A white skull,
Eaten by weedy greens.
Years later I
Encounter them on the road—

Words dry and riderless,
The indefatigable hoof-taps.
While
From the bottom of the pool, fixed stars
Govern a life.

***

Golpes
De machado na madeira,
E os ecos!
Ecos que partem
A galope.

A seiva
Jorra como pranto, como
Água lutando
Para repor seu espelho
Sobre a rocha

Que cai e rola,
Crânio branco
Comido pelas ervas.
Anos depois, na estrada,
Encontro

Essas palavras secas e sem rédeas,
Bater de cascos incansável.
Enquanto do fundo do poço, estrelas fixas
Decidem uma vida.

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