A infantilização do mundo islâmico

Marcos Guterman

17 de dezembro de 2009 | 00h27

O jornalista Thomas Friedman levantou questões cruciais em seu mais recente artigo para o New York Times. Em resumo, ele defendeu uma “guerra civil” no mundo islâmico, semelhante à luta entre ianques e confederados nos EUA, que derrotou pessoas que defendiam “coisas ruins”, como a escravidão.

“O islã precisa da mesma guerra civil. Há nele uma violenta minoria que acredita em coisas ruins: que é certo não apenas matar não-muçulmanos – os ‘infiéis’, que não se submetem à autoridade muçulmana – mas também matar os muçulmanos que não aceitam o rígido estilo de vida islâmico e não se submetem ao governo de um califado muçulmano”, escreve Friedman.

O problema, diz o jornalista, é que é justamente essa minoria que “goza de maior ‘legitimidade’ no mundo islâmico hoje”, porque “poucos líderes políticos e religiosos ousam falar contra ela em público”. Friedman lembra que ninguém, entre os líderes muçulmanos, manifesta ultraje quando os radicais massacram outros muçulmanos, como na série de atentados da semana passada no Iraque, que mataram 127 pessoas, muitas delas crianças.

Para Friedman, e para qualquer um de bom senso, o diagnóstico é terrivelmente simples:

“Uma mentalidade corrosiva se consolidou desde o 11 de Setembro. Segundo ela, os árabes e muçulmanos são apenas o objeto, isto é, nunca são responsáveis por nada em seu mundo, enquanto nós somos apenas o sujeito, responsável por tudo o que acontece no mundo deles. Nós os infantilizamos”.

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