A guerra dos EUA no Iêmen já começou

Marcos Guterman

28 de dezembro de 2009 | 21h53

O senador independente Joe Lieberman disse à Fox que o Iêmen será o novo front da “guerra ao terror” dos EUA se as forças americanas não “agirem preventivamente” para acabar com as bases da Al Qaeda naquele país.

Para o New York Times, porém, essa guerra já começou, silenciosamente. Há um ano, disse o jornal, a CIA trabalha com agentes especiais no Iêmen, treinando forças de segurança do país para atuar contra os terroristas.

A Al Qaeda estabeleceu campos de treinamento no Iêmen para seus jihadistas, como o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, preso depois de tentar explodir um voo americano entre Amsterdã e Detroit na véspera do Natal. O grupo terrorista assumiu o complô, como vingança pelo recente ataque americano a seus militantes no Iêmen.

Abdulmutallab, estudante no Reino Unido, recebeu orientação sobre o atentado num campo no Iêmen. Por isso, Londres disse temer que o Iêmen tenha se tornado o destino de jovens britânicos interessados em militar em grupos terroristas.

O caso de Abdulmutallab, a propósito, é bastante curioso. Ele não se enquadra no perfil do “terrorista padrão”, isto é, ele está longe de ser um jovem miserável sem perspectivas, ou um pobre refugiado de alguma das guerras ocidentais, como a propaganda anti-ocidental costuma definir os “militantes” que se explodem e matam mulheres e crianças. Filho de um banqueiro nigeriano, com excelente histórico escolar e elogiado por sua ótima educação, Abdulmutallab cortou relações com a família e decidiu aderir ao terrorismo “seguindo um chamado do islã“. É um jihadista clássico, que enxerga na luta contra os EUA um conflito cósmico, metafísico, sem qualquer nexo com questões políticas ou econômicas. É fanatismo puro.

Em textos escritos na internet quando tinha 18 anos, Abdulmutallab explicou suas “fantasias jihadistas“: “Eu imagino como a grande jihad acontecerá. Como os muçulmanos vencerão e dominarão o mundo. Tenho de ser mais claro?”

Não.

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