A “guerra” contra Irã

Marcos Guterman

04 de novembro de 2011 | 23h59

O governo de Israel fez vazar nesta semana a informação de que está buscando apoio, interno e externo, para um ataque às instalações nucleares do Irã. O objetivo é evitar que Teerã avance seu programa nuclear com vista a construir um arsenal atômico – o que é considerado uma “ameaça existencial” por Israel.

Para Ephraim Halevy, ex-diretor do Mossad, trata-se de uma rematada – e perigosíssima – bobagem. Para ele, um Irã com a bomba “está longe de ser uma ameaça existencial para Israel”: “O Estado de Israel não pode ser destruído. Um ataque ao Irã afetaria não só Israel, mas toda a região, pelos 100 anos seguintes”.

Halevy não está sozinho. Outro ex-chefe do Mossad, Meir Dagan, disse há alguns meses que atacar o Irã seria “a coisa mais estúpida” que ele já testemunhou.

Há quem diga que, no fundo, Israel e EUA não têm intenção de atacar o Irã, pelo menos não agora. Toda a retórica belicista teria apenas o objetivo de pressionar a comunidade internacional a adotar sanções mais duras contra o regime dos aiatolás.

Até lá, porém, vai ter muita gente suando frio.

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