A elegância da diplomacia latino-americana

Marcos Guterman

23 de fevereiro de 2010 | 16h29

A Cúpula de Cancún, por suposto, deveria coroar a formação de um novo bloco diplomático entre os países da América Latina e do Caribe para fazer contraponto à OEA e sua liderança americana. Pode até dar certo no futuro, mas os sinais atuais indicam diferenças irreconciliáveis entre pelo menos dois integrantes dessa “OEA do B”: Venezuela e Colômbia. Pois os presidentes desses dois países protagonizaram um vexame na cúpula.

O venezuelano Hugo Chávez e o colombiano Álvaro Uribe trocaram xingamentos durante reunião fechada entre os chefes de Estado. Segundo relatos de diplomatas, Chávez acusou Uribe de planejar seu assassinato, ao que Uribe respondeu: “Seja homem! Você é corajoso falando à distância, mas um covarde quando estamos cara a cara!”. Chávez, então, mandou: “Vá para o inferno!”.

Em meio ao tumulto, o presidente de Cuba, quem diria, tentou acalmar os ânimos: “Como é possível brigarmos numa cúpula cuja intenção é unir os países latino-americanos?”, perguntou um atônito Raúl Castro.

Tendências: