A crise do humor

Marcos Guterman

25 de maio de 2009 | 00h00

O comediante Michael Palin, um dos veteranos do Monty Python, deu interessante entrevista à Der Spiegel sobre o humor nos tempos de crise. Lá pelas tantas, ele é convidado a comentar por que os britânicos dão bons comediantes. Palin responde que é pela irreverência natural. E a entrevista prossegue:

Der Spiegel – Então o Reino Unido ainda é um lugar bom para um comediante?

Palin – Não, temo que estejamos muito perto de perder nossa atitude casual, infelizmente.

Der Spiegel – Como assim?

Palin – Terrorismo islâmico. Eu não conheço muita gente que fez piadas sobre a Al Qaeda ultimamente. As pessoas estão com medo.

Der Spiegel – O Monty Python poderia ter escrito algumas piadas sobre eles.

Palin – Sim, se o Python estivesse junto poderíamos ter bolado algumas idéias para um show. Como fazer um taleban ser candidato no “Quem Quer Ser Um Milionário?”, ou um tour da Al Qaeda, “Cavernas do Mundo”.

Der Spiegel – Por que vocês não fazem isso?

Palin – Bem, acabaríamos causando um debate como os dinamarqueses, que provocaram uma reação mundial por causa das caricaturas de Muhammad. O politicamente correto está intimidando as pessoas. E não falo só do terrorismo. Às vezes a impressão é que não se pode fazer piada a menos que se tenha lido as letrinhas miúdas. Mas isso não é possível. O humor tem de ser espontâneo. Rir é um tipo de coisa libertária. Espero que continue assim.

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Para lembrar de Michael Palin, o vídeo abaixo mostra um trecho de “A Vida de Brian”, em que ele faz o papel de Pilatos com língua presa.

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