A crise da Toyota vai além dos carros

Marcos Guterman

08 de março de 2010 | 10h35

Um interessante artigo no Le Monde, do correspondente em Tóquio Philippe Pons, mostra que a crise da Toyota não é apenas um problema industrial, nem mesmo um problema de imagem. É um modelo de gestão que está em jogo.

Nos anos 80, a Toyota consolidou a reorganização da produção de automóveis de tal maneira que o princípio era a qualidade ante a quantidade, de modo que o que importava não era a velocidade da produção, mas a integração do trabalhador e da linha de montagem para controlar melhor o produto final. O “toyotismo”, como ficou conhecido esse sistema “orgânico” desde os anos 60, era um avanço gerencial em relação ao fordismo, que basicamente visava a otimização da produção em massa.

O problema, diz Pons, é que a expansão da Toyota fragilizou o modelo – a fabricação de peças usadas na linha de montagem, por exemplo, não seguiu os mesmos padrões. Ao mesmo tempo, a Toyota continuou se comportando como a indústria silenciosa e fechada que sempre foi. Sendo a principal anunciante da imprensa do Japão, a Toyota não teve de explicar seus crescentes problemas – até que estourou a atual crise do “recall”.

Se a “Toyota é o Japão”, como diz seu slogan, então a indústria do Japão pode não ser mais tão confiável quanto antes. Num mundo ultracompetitivo, em que o exemplo de agressividade chinesa é a marca, e ao mesmo tempo com um mercado arisco e indisposto a jogar dinheiro fora, esse comportamento pode ser fatal.

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