A criatividade da militância anti-Israel

Marcos Guterman

23 de novembro de 2011 | 18h04

Uma ativista do movimento homossexual americano publicou um artigo no New York Times que mostra a infinita criatividade da militância de esquerda anti-Israel. Segundo Sarah Schulman, professora universitária de Nova York e lésbica assumida, Israel anaboliza sua imagem como país que respeita os direitos dos homossexuais só para escamotear as violações dos direitos dos palestinos. Desse modo, Sarah reduz todo um histórico de defesa de minorias em Israel, que inclui a presença aberta de homossexuais no Exército, a uma mera campanha de relações públicas, bolada por “executivos de marketing americanos”.

Para Sarah, o fato de Israel garantir direitos aos gays não significa nada diante de seu comportamento em relação aos palestinos. Ela parece ignorar que a garantia dos direitos dos gays é sobretudo sintomática do saudável sistema democrático de Israel e que isso deve, sim, ser motivo de orgulho quando o país é comparado a seus vizinhos homofóbicos. Mas a professora consegue inverter tudo, até o ponto de considerar que os gays brancos israelenses, satisfeitos com sua situação confortável, estão sendo “cooptados” para a causa anti-islâmica da direita. Ela desconsidera a hipótese, de resto bastante plausível, de que os gays estejam criticando as nações islâmicas por causa da perseguição sistemática aos homossexuais.

No limite, pode-se interpretar seu “raciocínio” da seguinte maneira: para ela, Israel apenas “finge” defender as minorias com o objetivo de esconder sua verdadeira natureza – a de um país racista e islamofóbico. Como vários de seus colegas de esquerda, Sarah Schulman é incapaz de ver as diferenças reais entre Israel e seus vizinhos justamente naquilo que deveria ser mais caro aos progressistas, isto é, a proteção das minorias. As tiranias do Oriente Médio, que perseguem lésbicas como Sarah Schulman, agradecem.

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