A censura é uma burrice

Marcos Guterman

03 de setembro de 2009 | 00h05

O jornalista José Alejandro Rodríguez publicou no Juventud Rebelde, órgão estatal cubano, uma sutil e corajosa análise do péssimo hábito do governo de Cuba de cercear a crítica. “A obsessão doentia por cuidar da ‘imagem’ do país, do ministério, da empresa ou do território é mais recorrente do que a preocupação com os próprios problemas da realidade”, escreveu Rodríguez, tomando o cuidado de não mencionar a palavra censura.

Para o articulista, quem considera o “exercício saudável da crítica” como uma forma de “dar armas ao inimigo” está, na verdade, prejudicando a causa. “O certo é que o míssil mais perigoso que se pode disparar contra uma obra de mais de 50 anos é o silêncio, a moral dupla, o conformismo, a falta de intransigência diante dos males que se incubam e se desenvolvem diante dos nossos olhos.”

Rodríguez acha, com razão, que “o mais perigoso é confundir a realidade com nossos desejos”.

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