A aula do professor Obama

Marcos Guterman

19 de maio de 2009 | 01h13


Obama ensina a “Bibi” como fazer história

O presidente dos EUA, Barack Obama, tratou de deixar claro ao premiê Binyamin Netanyahu, no encontro desta segunda-feira na Casa Branca, que Israel não está em condições de ditar a agenda americana para o Oriente Médio.

Enquanto “Bibi” insistiu na prioridade da questão iraniana, Obama vinculou qualquer atitude em relação a Teerã primeiro à resolução do conflito israelo-palestino, culminando urgentemente na criação de um Estado palestino. Segundo o presidente americano, isso esvaziaria a retórica do Hezbollah e do Hamas e por tabela a do Irã, o maior aliado desses grupos.

Em determinado momento da entrevista posterior à reunião com “Bibi”, Obama discordou da visão israelense segundo a qual primeiro deve ser resolvida a questão iraniana para só então partir para a questão palestina: “Se há uma ligação entre o Irã e o processo de paz israelo-palestino, eu pessoalmente acho que, na verdade, ela se dá no sentido oposto. Se pudermos fazer a paz entre os palestinos e os israelenses, então eu acho que isso nos fortalecerá na comunidade internacional para lidar com a potencial ameaça iraniana”.

A pressão de Obama foi muito mais forte do que os sorrisos de “Bibi” fazem supor. O americano cobrou uma atitude mais clara do governo israelense na direção da paz e o congelamento imediato da construção de assentamentos em território palestino. Com ar professoral, Obama disse esperar que “Bibi” exerça sua “visão histórica” – que, no caso do premiê de Israel, significaria uma improvável renúncia à sua biografia.