A atuação clandestina do “pacífico” Irã

Marcos Guterman

22 de abril de 2010 | 01h15

A inteligência das Forças Armadas dos EUA produziu um

Documento

sobre o Irã que esclarece muito sobre as atuais preocupações dos americanos em relação ao regime dos aiatolás. Em resumo, o Pentágono liga o Irã ao terrorismo internacional, diz que o país ajuda insurgentes antiamericanos e afirma que a elite da Guarda Revolucionária iraniana está presente e atuante em todo o mundo – inclusive na Venezuela. A seguir, os principais trechos do documento:

“Os objetivos estratégicos da liderança iraniana são, fundamentalmente, a sobrevivência do regime, fazer do Irã um poder regional preeminente, obter um papel de liderança no mundo islâmico e no palco internacional e transformar o Irã numa potência econômica, científica e tecnológica.”

“O Irã estendeu sua influência e seu apoio a governos e grupos que se opõem aos interesses americanos e ameaçam a segurança regional. Diplomacia, alavancagem econômica e patrocínio ativo de grupos terroristas e paramilitares são ferramentas que o Irã usa para implementar ou aprofundar sua agressiva política externa. Em particular, o Irã usa o terrorismo para pressionar ou intimidar outros países e mais amplamente para servir como dissuasão estratégica.”

“O Irã também busca demonstrar ao mundo sua ‘resistência’ ao Ocidente. Tenta assegurar influência no Iraque e no Afeganistão enquanto mina os esforços americanos ao fornecer ajuda letal aos militantes xiitas iraquianos e aos insurgentes afegãos. Também fornece armas, treinamento e dinheiro ao Hizbollah, seu sócio estratégico e parceiro.”

“O regime iraniano usa a Força Qods, da Guarda Revolucionária Islâmica, para exercer clandestinamente seu poder militar, político e econômico a fim de fazer avançar os interesses iranianos no exterior. A Força Qods conduz atividades no mundo todo, inclusive inteligência tática; diplomacia secreta; treinamento, fornecimento de armas e suporte financeiro de grupos e organizações terroristas; e facilitação de apoio econômico e humanitário às causas islâmicas.”

“O Irã também ajuda o Hizbollah e grupos terroristas palestinos, notadamente o Hamas, a Jihad Islâmica Palestina e a Frente Popular para a Libertação da Palestina, com dinheiro, armas e treinamento, para se opor a Israel e atrapalhar as perspectivas de paz entre árabes e israelenses.”

“A Força Qods está por trás de alguns dos mais mortais atentados terroristas dos últimos 30 anos, incluindo os ataques de 1983 e 1984 à Embaixada dos EUA em Beirute, o ataque ao acampamento militar americano em Beirute em 1983, o atentado de 1994 à Amia, em Buenos Aires, o ataque de 1996 às Torres Khobarm, na Arábia Saudita, e vários dos ataques de insurgentes contra a coalizão e as forças de segurança iraquianas desde 2003. Geralmente, a Força Qods dirige e apóia os grupos que de fato executam os ataques, de modo a poder negar sua responsabilidade nos atentados perante a comunidade internacional.”

“A Força Qods mantém sua capacidade operacional em todo o mundo. Está bem estabelecida no Oriente Médio e no Norte da África, e nos anos recentes testemunhou uma crescente influência na América Latina, particularmente na Venezuela.”

Tudo o que sabemos sobre:

IrãPentágono

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.