A americanização da Índia

Marcos Guterman

10 de março de 2012 | 13h18

O escritor indiano Akash Kapur fez um desabafo: a Índia está se americanizando.

Em artigo no New York Times, Kapur conta que, até os anos 90, a Índia era profundamente diferente dos EUA – como descreve o romancista R. K. Narayan, citado por Kapur, “a filosofia indiana enfatiza um cotidiano austero, simples; a ênfase americana, por outro lado, é na aquisição material e na ilimitada busca da prosperidade”. A Índia era um país, escreve Kapur, atado à “rejeição moralista do capitalismo” e ao “letárgico e depressivo fatalismo”.

Isso mudou dramaticamente, diz Kapur. Proliferam nas cidades indianas as marcas conhecidas do mercado dos EUA, os executivos americanos se integraram à paisagem e os indianos estão se esforçando para adotar a pronúncia americana e suas gírias – alguns chamam os colegas de “dude”. Mais do que isso: há agora um imenso espírito empreendedor na Índia, tipicamente americano.

Por outro lado, lamenta Kapur, há a sensação de que a violência e aumentou, e muitos indianos começam a questionar a “brutalidade da modernidade” trazida pelo americanismo. “A promessa americana de renovação e de reinvenção é profundamente sedutora”, diz o escritor. “Mas também é profundamente ameaçadora.”

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