1 milhão de motivos para querer Robinho

Marcos Guterman

29 de janeiro de 2010 | 13h43

É realmente desconfortável, para quem é assalariado como nós, saber que alguém consegue ganhar R$ 1 milhão por mês só para jogar futebol. Robinho ganhará quase isso no Santos, e, para muitos santistas, trata-se de uma afronta.

De fato, é. Mas o mundo do futebol está mesmo fora de órbita, como mostrou recente reportagem no Estadão a respeito da pindaíba de boa parte dos “poderosos” times europeus, e o astronômico salário de Robinho faz parte disso – ou seja, não é exatamente uma anomalia. Paga quem quer.

O Santos pagará (não o Santos, claro, mas um “pool de empresas”, expressão mágica que usualmente significa que um time é pobre demais para ter autonomia em relação ao contrato de seus jogadores). E decidiu pagar porque, se de um lado terá de arranjar R$ 1 milhão mensais para repatriar o astro, por outro tem 1 milhão de motivos para fazê-lo.

Fiquemos com apenas três: Robinho é o jogador que melhor representa a época de ouro do Santos na década – é o equivalente de Pelé no imaginário do torcedor santista com menos de 40 anos, um craque que fez muita gente sonhar acordado; mesmo em má fase, ele ainda é titular da seleção brasileira e está louco para assegurar sua vaga na Copa, o que garante que ele pelo menos atuará com vontade; e, finalmente, as defesas adversárias já devem estar com insônia, diante da terrível perspectiva de enfrentar Robinho e Neymar, seu clone melhorado.

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