Reforma previdenciária avança na Câmara, mas falta discussão substantiva

Sem esclarecimentos, os cidadãos ficam sem saber o que pensar a respeito de um tema decisivo para suas vidas

Marco Aurélio Nogueira

10 de julho de 2019 | 16h55

Coitado do incauto cidadão que decidiu acompanhar ao vivo a discussão sobre a reforma previdenciária, que acontece no Congresso. Ele busca informação e explicações que sosseguem seu espírito, inquieto e confuso diante de tema tão complexo, mas encontra tão somente o palavrório dos que são contra e dos que são a favor, com direito à mais deslavada demagogia.

A sessão é típica da nossa política parlamentar. Muito jogo de cena, manobras de última hora, tentativas desesperadas de alcançar o eleitor, misturas frequentes de alhos com bugalhos. Pouquíssimas vozes se levantam para esclarecer o que quer que seja. É uma barafunda de vozes e muito histrionismo. Enquanto a maioria dos que são a favor prometem o paraíso no futuro, jurando defender as jovens gerações, os que são contra mexem-se para produzir o mais tenebroso terrorismo, anunciando uma fileira de desgraças que desabarão sobre a cabeça dos mais pobres. A oposição de esquerda, em particular, nada acrescenta de substantivo à discussão. Limita-se a agitar, pregando para um auditório desatento na expectativa de influenciar os indecisos e mobilizar a sociedade. Um cenário triste, bem expressivo da miséria política em que nos encontramos.

Na falta de análises mais consistentes ou propostas alternativas, ficam os cidadãos, justamente aqueles que terão de mastigar os resultados das decisões, sem saber direito o que pensar. Veem-se cercados pelas torcidas do contra e do a favor, ambas dizendo falar em seu nome e benefício.

***

Com as portas do manicômio escancaradas, o presidente do PDT, Carlos Lupi, afirmou que o partido poderá expulsar a deputada Tabata Amaral caso ela vote a favor da reforma da Previdência. O mesmo será feito com outros deputados do partido que adotarem idêntica posição.

Tabata é uma jovem e combativa parlamentar. Está se mostrando disposta a brigar de acordo com o que pensa, sem se dobrar a orientações partidárias que não nasçam de uma boa discussão. Lupi esclarece que o partido fechou questão, numa convenção realizada em março, contra as mudanças previdenciárias propostas por Bolsonaro.

Acontece, porém, que de março até hoje, o projeto governamental foi redesenhado pela Câmara, com modificações importantes que precisam ser levadas na devida conta, coisa que o partido, ao que tudo indica, não fez.

A lógica partidária da ordem unida e da afirmação unilateral da vontade das direções exibe assim toda a sua inoperância.

Pouco importa se Tabata Amaral tem ou não experiência e estatura suficientes para confrontar o partido. Merecem aplausos, porém, sua postulação de independência e a dedicação com que tem procurado analisar a proposta de reforma, com a devida consideração das modificações introduzidas na Câmara, para as quais ela mesma contribuiu.

Tudo o que sabemos sobre:

PrevidênciareformaCâmaraTabata AmaralPDT

Tendências: