Pazuello e a vergonha

Ao coroar a carreira com a ida, sem farda e sem máscara, a um comício eleitoral , o ex-ministro da Saúde mostrou que é um estranho no ninho militar

Marco Aurélio Nogueira

25 de maio de 2021 | 10h19

Foto Peia S. Dias

O problema não é Eduardo Pazuello ser bolsonarista, negacionista, despreparado e irresponsável. Como ele, há muitos por aí, dentro e fora do governo, empurrando o País para o caos e a destruição. Foi parte da tragédia ele ser indicado para o Ministério da Saúde em um momento tão dramático da vida nacional, um ato deliberado do presidente da República para inviabilizar o combate à pandemia. Estamos sofrendo pelo que ele aceitou fazer e pelo que não fez.

O problema é Pazuello ser um general da ativa, cúpula do Exército. Ao coroar sua carreira com a ida, sem farda e sem máscara, a um comício eleitoral em que aceitou ser apresentado como o “gordinho” preferido de Bolsonaro, ele deixou claro que é um estranho no ninho militar, corporação que se orgulha de prezar a disciplina, a honestidade, a coragem, a hierarquia, a compostura.

Pazuello tornou-se tudo o que um militar não deve ser e sobretudo não pode fazer. Agrediu a verdade, mostrou cinismo extremo, fugiu das responsabilidades, rastejou como não fazem os oficiais. Por caminhos imperscrutáveis, galgou os degraus da carreira e terminou por revelar que a farda não o merece.

Por que fez essa opção?

Por oportunismo e covardia, mas também porque se tornou um clone do presidente. O “gordinho” de Bolsonaro passou a segui-lo em tudo, sem pesar as consequências. Foi-se travestindo. Caiu nas graças dos bolsonaristas-raiz e é provável que já cogite sair do Exército para segui-los vida afora, quem sabe em um cargo político.

É o retrato perfeito de uma vergonha, de um opróbrio, que manchará os Anais das Forças Armadas, independente da punição e das sanções que vier a receber.

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