Mario Schenberg, cientista, crítico de arte, pacifista e homem de partido

Mario Schenberg, cientista, crítico de arte, pacifista e homem de partido

Marco Aurélio Nogueira

10 de agosto de 2015 | 16h58

O físico Mario Schenberg (1914-1990) é reconhecido como um dos mais importantes cientistas brasileiros, respeitado dentro e fora do País. Erudito, dono de vasta cultura literária e artística, firmou posição em nosso universo cultural, onde atuou intensamente como crítico de arte.

Schenberg foi também homem de partido e participante ativo das lutas democráticas. Marxista heterodoxo, antistalinista, integrou-se ao Partido Comunista Brasileiro desde os distantes anos de 1930, ao qual permaneceu vinculado durante 6 décadas. Jamais cumpriu qualquer papel de acatamento passivo de ordens vindas de cima ou, como se costumava dizer, emanadas “de Moscou”. Foi um militante atípico, como tantos outros intelectuais. Explorou a dimensão democrática, parlamentar e humanista do comunismo brasileiro, a partir da qual se engajou na luta pela paz, na defesa da pesquisa científica e do desenvolvimento tecnológico nacional. Elegeu-se, pela legenda do PCB, deputado constituinte após a redemocratização do País, em 1945. Teve o mandato cassado quando o PCB voltou à ilegalidade em 1947. Participou ativamente, durante décadas, do Conselho Mundial da Paz.

Sua biografia política é, agora, objeto de um importante livro, escrito pela física Dina Lida Kinoshita e publicado poucos meses atrás: Mario Schenberg: o cientista e o político (Brasília: Fundação Astrojildo Pereira-FAP, 2014). O texto, rico em informações e fotos, preenche uma lacuna e reapresenta Schenberg para o público brasileiro, principalmente para os leitores mais jovens, que não tiveram a possibilidade de conhecê-lo ou estudá-lo.

MARIO SCHENBERG

Dina elaborou um texto denso, que acompanha toda a trajetória política de Schenberg, valendo-se tanto de documentação escrita e de sua convivência com o biografado, quanto do recurso à memória oral de colegas universitários, familiares e companheiros de partido.

O livro é prefaciado por Silvio R. A. Salinas, também ele, como Dina, professor do Instituto de Física da USP.

No próximo dia 13 de agosto, às 18h30, o Centro de Documentação e Memória da UNESP-CEDEM (Praça da Sé, 108 – 1º andar, no centro de São Paulo) realizará uma mesa-redonda para debater o livro. Dele participação, além da autora, os professores Silvio Salinas e Alberto Aggio (Unesp), com a mediação da historiógrafa Solange Souza.

As inscrições são gratuitas (santos@cedem.unesp.br) e os que assistirem ao debate poderão solicitar um certificado de participação.

É uma ótima oportunidade para que se conheça um pouco mais a grande figura de Mario Schenberg.

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