Mandetta é o SUS

Mandetta está na berlinda por expressar a força do SUS e defendê-lo.

Marco Aurélio Nogueira

06 de abril de 2020 | 17h10

Basta Luiz Henrique Mandetta falar que os bolsonaristas estrebucham. Há uma militância de direita contra o ministro da Saúde, e ela procede com a grosseria e a falta de discernimento habituais. O próprio presidente está na linha de frente dessa militância e não se cansa de dizer, como fez domingo dia 5/4, que a hora de quem está ‘se achando’ vai chegar logo. A questão não é de ordem estratégica, ainda que existam divergências sobre o modo de enfrentar a epidemia. A questão é passional, passa por inveja e medo de sair mal na foto. Por essa via, é uma questão política.

Mas há também gente de esquerda que torce o nariz para Mandetta, em nome da tese de que “não dá para confiar em nada que venha do governo atual”.

Deixando de lado o jogo político miúdo, com seus cálculos rasteiros e suas intenções escusas, Mandetta está na berlinda por outros motivos. Antes de tudo, ele é o responsável pela gestão da crise sanitária, fato que por si só faz com que tenha telhado de vidro. Mas o que pesa mesmo é que ele é mais do que o ministro da Saúde, não fala nem age por si só: ele é o SUS, a legião de médicos, sanitaristas, infectologistas, enfermeiros e servidores que integram o Sistema Unificado de Saúde e estão a atuar com tudo que podem mobilizar em termos de articulação, recursos e inteligência.

Mandetta não é um quadro orgânico do SUS, mas tem cumprido bem a função de coordenar o sistema e defendê-lo. É a força do SUS que hoje se expressa na conduta do ministro. E é isso que irrita os bolsonaristas fanáticos, que não gostam de sistemas públicos estatais e estão acostumados a obedecer tão somente ordens vindas do “mito”. A eventual queda de Mandetta seria péssimo para o combate à epidemia. Ele se tornou tão importante no momento que terminou por se blindar. Até quando, não se sabe.

As pessoas de esquerda, por sua vez, que não confiam em Mandetta por vê-lo como integrante de um governo repulsivo, deveria olhar o conjunto da obra e perceber o que está por trás do ministro e o ultrapassa. A sorte é que elas são poucas, e podem terminar falando sozinhas.

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