Dos males, o menor: bancada do PT decide que votará contra Cunha no Conselho de Ética

Marco Aurélio Nogueira

02 de dezembro de 2015 | 15h46

Quarta-feira quente. No início da tarde, o presidente do Conselho de Ética, dep. José Carlos Araujo, encerrou a tentativa de reunião do órgão, transferindo-a para o próximo dia 8. Mais tempo para articulações e posicionamentos.

Enquanto isso, seguia quente no Congresso a discussão sobre a meta fiscal.

Pela manhã, em reunião especialmente convocada para isso, a bancada do PT decidiu que os três integrantes do partido no Conselho de Ética – Zé Geraldo (PT-PA), Leo de Brito (PT-AC), e Valmir Prascidelli (PT-SP) – votarão a favor da continuidade do processo que investiga o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A decisão foi anunciada pelos três parlamentares e por outros deputados petistas que participaram da discussão.

Dos males certamente o menor. Os deputados sofriam pressão do governo para apoiar Cunha e evitar que o peemedebista abrisse processo de impeachment de Dilma. A direção do partido pensava de outro modo, receosa do desgaste político que decorreria de um apoio a Cunha. O braço de ferro acabou por ser encerrado hoje. AO menos até segunda ordem.

Perdeu o governo, ganhou o partido, que é maior e mais importante do que ele. Ganhou também a democracia. Perdeu Cunha.

O deputado Zé Geraldo, que passou os últimos dias afirmando que vivia um “dilema”, esclareceu:

“A posição de bancada é pela admissibilidade. Isso será comunicado ao governo. E o governo começa a se virar para aprovar a redução da meta fiscal. O partido tomou essa decisão. Nós agora vamos seguir a decisão da bancada do partido. Já era uma tendência nossa. Só que agora a bancada assume uma responsabilidade”.

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