Bolsonaro em Washington

Bolsonaro em Washington

Será difícil que a viagem aos EUA melhore a imagem externa do governo brasileiro

Marco Aurélio Nogueira

18 de março de 2019 | 18h30

Não será por falta de assuntos esdrúxulos que a crônica política perderá o pique.

O presidente foi a Washington para uma reunião com Trump, entrevistas à imprensa e conversas várias. Entre outras coisas, o propósito da viagem é melhorar a imagem de Bolsonaro no exterior. Alguns de seus ministros têm agendas específicas, algumas relevantes. No primeiro dia, em um jantar oferecido pelo embaixador brasileiro nos EUA, Sérgio Amaral, o presidente sentou-se ao lado de Steve Bannon, um desafeto de Trump, e do chefe dos “olavetes” que, horas antes, chamou o vice-presidente brasileiro de “idiota” e os ministros militares de um “bando de cagões”, por estarem associados à mídia de oposição e desejarem afastar o presidente: “Ele não escolheu 200 generais”, disse o guru. “Foram 200 generais que o escolheram. Esse pessoal quer restaurar o regime de 1964 sob um aspecto democrático. Eles estão governando e usando o Bolsonaro como camisinha”.

A noite não parou por aí. Numa demonstração clara do grau de confusão e desqualificação que impera na alta cúpula brasileira, coube ao ministro da Economia, Paulo Guedes, lembrar ao distinto público que o guru presidencial é, na verdade, “o líder da revolução liberal no Brasil”. Muitos tentaram decifrar a ideia de liberalismo que passa pela cabeça do ministro.

Como se não bastasse, no dia anterior, o filho do presidente, Eduardo, derramou-se em críticas aos brasileiros ilegais que tentam viver nos EUA, dizendo que são “uma vergonha nossa”, condição que, em sua opinião, justificaria o fato de os Estados Unidos não isentarem os brasileiros de visto para entrada no país. Segundo ele, caso a reciprocidade fosse concedida, milhares de brasileiros iriam se “passar por turistas para morar ilegalmente nos EUA”.

Na manhã seguinte, enquanto o presidente dava uma escapada para relaxar e passear pela cidade, Eduardo, acompanhado por um assessor da Presidência, fez uma incursão em lojas locais para comprar suplementos e vitaminas.

Pelo andar da carruagem, será difícil sair da viagem alguma melhoria na imagem externa do governo brasileiro.

Tudo o que sabemos sobre:

BolsonaroEUATrumppolítica externa

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: