Balões de ensaio e efeito bumerangue constrangem FHC

Marco Aurélio Nogueira

07 de novembro de 2016 | 14h49

O PSDB não demonstra saber o que fazer com os bons ventos das urnas de 2016. As rusgas internas crescem como um foguete espacial. Tucanos preferem acirrar as tensões entre as alas em vez de cuidar da organização coletiva e propor um projeto para a sociedade. Falta-lhe aquele mínimo de “centralismo democrático” de que necessita qualquer partido ou organização que se preze.
Agora, impulsionados pelo balão de ensaio publicado por Xico Graziano, alguns passaram a falar em #VoltaFHC. Em seu artigo, Graziano homenageia FHC, a quem tece loas bombásticas: “Qual liderança poderá recolocar o Brasil nos trilhos do desenvolvimento? Como fazer a reforma política tão desejada? Quem conseguirá estabelecer conexão com a sociedade organizada nas redes? É o que todos querem saber”. Para ele, FHC é o cara: o ex-presidente “se legitima, pela vasta experiência, sensatez e sabedoria, para nos conduzir nessa difícil tarefa”.
O problema é que o PSDB é aliado de Temer e não deveria ficar por aí posando de puxador de tapete. Um partido, antes de se lançar ao mar, deveria sempre definir antes o traje que usará, a marujada com que contará, os recursos de que irá dispor. Xico Graziano não se preocupou com isso, porque seu alvo era outro: dar um chega-prá-lá em Alckmin, alertá-lo de que há mais coisas no céu do que aviões de carreira, que o melhor é o governador não se achar prematuramente um todo-poderoso.
Balões de ensaio são costumeiros recursos de luta interna, antes de serem eficientes na luta externa, que deveria prevalecer. Ou seja, não levam muito longe e muitas vezes têm efeito bumerangue. São provocações. Quando bem feitas, geram sondagens, fazem um convite para a reflexão crítica e a pro-atividade. Quando não são, vão na direção do precipício, gerando desconforto e incredulidade.

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