As vaias a Dória e os medos de Bolsonaro

As vaias a Dória e os medos de Bolsonaro

Presidente pede que batam bumbos para saudá-lo e macular os adversários

Marco Aurélio Nogueira

12 de outubro de 2019 | 12h54

As informações dão conta de que Dória foi vaiado em São Paulo, sexta-feira 11/10, numa cerimônia ao lado de Bolsonaro. Ambos participavam da formatura de sargentos da Polícia Militar. E o presidente foi recebido aos gritos de “mito”

Como o ambiente era bolsonarista de cabo a rabo, o fato poderia ser lido como desprovido de maior significado.

Só que não.

Por um lado, mostra que Bolsonaro quer alijar Dória da corrida eleitoral. O presidente tem medo do governador, sabe que sem ele não será fácil repetir em São Paulo o desempenho que teve nas urnas que o elegeram em 2018. Pede ajuda à tropa, para que bata bumbos para saudá-lo e, quem sabe, macular ou irritar os adversários.

No mesmo dia, no Rio, Bolsonaro disse ter mais problemas com os “inimigos internos” que com os de fora. Parecia estar falando de Dória, de Bivar e da turma do PSL, da imprensa, de Witzel, da esquerda, dos ambientalistas, dos vários desafetos que conseguiu acumular desde que se tornou presidente. De sua fala, surge um governante permanentemente amedrontado, que teme a própria sombra e não confia em ninguém a não ser nos próprios filhos, ao menos até agora.

Que equilíbrio, que tirocínio racional, que largueza de visão se pode esperar de um presidente que deve acordar à noite assustado, vendo inimigos à espreita em cada janela do palácio?

As vaias recebidas por Dória também indicam que o governador não terá vida fácil daqui para frente. Do alto do Palácio dos Bandeirantes, pela mera força do cargo, ainda tem gás para queimar.

Mas até os observadores mais ingênuos sabem qual será o resultado se o terreno ficar congestionado de candidatos presidenciais disputando espaço entre si. Dória quer controlar a centro-direita e jogar Bolsonaro para a extrema. Para vencer, porém, terá de atrair parte substancial dos votos da centro-esquerda e dos liberais, que não rezam por sua cartilha.

Se tal não acontecer, e o PT insistir em manter a carreira-solo com ou sem Lula, as urnas de 2022 nem precisarão ser abertas para que se saiba o que conterão.

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