#AgoraÉQueSãoElas: Pela vida das mulheres

Marco Aurélio Nogueira

03 Novembro 2015 | 09h12

Não se trata somente de direito e liberdade de escolha. Mas de respeito e amor ao próximo, de recusa à conversão da mulher em objeto submisso, de crítica ao domínio patriarcal, machista, que se vem arrastando pelos séculos.

O feminismo e a revolução feminina são conquistas democráticas recentes. Estão em pleno curso. Enfrentam obstáculos e resistências obscurantistas, mas seguem em frente, como uma onda que se impõe, uma força da natureza.

O projeto de lei 5069/2013, que dificulta o aborto legal e o atendimento pelo SUS de vítimas de violência sexual e estupro, foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Por trás dele, Eduardo Cunha e um grupo de parlamentares fundamentalistas, contrários à vida.

Não interrompeu a onda. Ao contrário. Indignadas com a desfaçatez e a indiferença para com o corpo e a dignidade das mulheres, em poucas horas, milhares de mulheres foram para as ruas protestar, mostrando o lado mais belo e vigoroso de seu movimento por emancipação.

A cientista social Manoela Miklos teve uma bela ideia para impulsionar essa luta, que é das mulheres com certeza, mas é sobretudo de todas as pessoas decentes, generosas e democráticas. Propôs que os homens que atuam nas redes e nas mídias, em vez de falarem ou escreverem sobre o movimento, abrissem espaço para que se ouvissem as vozes e se lessem as palavras das próprias mulheres. De algumas delas, pelo menos, na certeza de que falam por todas.

Aderi à ideia, na expectativa de que ela ajude a ampliar a reflexão sobre o tema e aumentar os espaços femininos nas mídias.

Para começar, nada melhor do que um texto da própria mãe da ideia. #AgoraÉQueSãoElas

 

Pela vida das mulheres

por Manoela Miklos

Esse é um momento importante: mulheres estão perdendo direitos adquiridos com muita dificuldade. É cruel. Mulheres vêm relatando o que é ser mulher no Brasil hoje. E ser mulher no Brasil é perigoso. Contra essa crueldade e pra denunciar esse perigo, nós mulheres tomamos as ruas. E as redes.

Muitos homens que têm acesso a meios de comunicação e espaços de fala garantidos – verdadeiramente emocionados diante desse momento e solidários nesse movimento de empoderamento – têm vontade de escrever sobre o tema.

Do reconhecimento dessa vontade em muitos homens, nasceu a provocação: e se todos os homens, ao invés de publicar textos sobre a importância de escutar, de fato reconhecessem a importância de escutar e cedessem, nessa semana, seus espaços para mulheres falarem? Hoje, como o importante é ouvir, eu e você leitor ouviremos. Com vocês, uma mulher.

Dessa provocação surgiu, com a ajuda de muitos e bons, a iniciativa #AgoraÉQueSãoElas: uma semana de mulheres ocupando os espaços masculinos de fala. Homens convidam mulheres para escrever no seu lugar e se colocam nesse lugar do ouvinte. Dando voz e vez a uma mulher. Reconhecendo a urgência da luta feminista por igualdade de gênero e o protagonismo feminino nesta luta.

Muitos homens toparam e já cederam seu espaço nessa semana que começa para uma mulher, para as mulheres. E queremos muitos mais com a gente. Queremos todxs juntos nessa onda. Pra que ela seja um tsunami.

Importantíssimo: na escolha das mulheres, pense na diversidade. Mulheres negras, de comunidades vulneráveis, mulheres trans, mulheres que têm dificuldade de acesso aos meios de comunicação e muito, muito o que dizer. Podemos ajudar nessa escolha se você quiser, amigo. Conte com a gente.

É pela vida das mulheres.

Domingo, 1 de Novembro de 2015