A educação abaixo de tudo

A educação abaixo de tudo

O atual Ministério da Educação, até agora, nem sequer se dedicou a apresentar um esboço de plano para o sistema que funciona mal e gira por inércia

Marco Aurélio Nogueira

09 de março de 2019 | 12h27

A educação deveria ser a menina dos olhos de todo governo. Sempre, mas sobretudo numa era de “sociedades do conhecimento”, como é a nossa, na qual são decisivos os recursos educacionais incorporados pelos cidadãos.

Isso é verdade em especial no Brasil, cujo quadro de falhas, descasos e carências na área é assustador. Aqui, a educação precisa estar acima de tudo. Categoricamente, sem meias palavras.

Investimentos baixos, salários humilhantes, escolas mal aparelhadas, muita divergência quanto a currículos e modelos pedagógicos formam um quadro desolador, que somente serve para que se perceba o tamanho do esforço que terá de ser empreendido para que se eleve a qualidade educacional do País.

O resultado é conhecido: jovens saem do ensino fundamental muitas vezes sem saber ler, escrever e fazer contas simples. Passam pelo ensino médio, onde pouco avançam, e caem nas universidades sem o devido preparo. É assim particularmente nas escolas públicas, que deveriam estar no topo, mas as particulares não estão muito afastadas do quadro.

O sistema simplesmente não funciona bem.

O atual Ministério da Educação, até agora, nem sequer se dedicou a apresentar um esboço de plano para enfrentar o problema e administrar o sistema, que gira por inércia. É preocupante demais. Com sua cúpula integrada por pessoas estranhas à área – a começar do ministro Vélez –, tem-se limitado à agitação ideológica e à propaganda, permanecendo alheio a tudo o mais. Além de atirar diariamente nos próprios pés com iniciativas esdrúxulas, nada mais fez que seja digno de nota. Nenhuma entrevista esclarecedora, nenhum texto reflexivo ou com diretrizes de atuação, nenhuma providência administrativa. Nada. Pode-se ouvir o silêncio à distância.

Agora, fala-se na exoneração de um punhado de “olavetes” que estavam abrigados no Ministério. Terá consequências ou nada mais será que um ajuste de contas? Já é estranho que pessoas com tal qualificação tenham lugar numa área estratégica, que deveria ser organizada com o concurso dos muitos técnicos e intelectuais que dominam a educação em termos práticos e teóricos, não com improvisadores dedicados ao fluxo de ideologias e ideias malsãs.

O mais impressionante, porém, é constatar que após dois meses esse é o segundo ruído que se ouve no Ministério. O primeiro, como todos devem se lembrar, foi a patética carta do ministro Vélez recomendando a leitura nas escolas do slogan de campanha de Bolsonaro e a filmagem dos alunos cantando o Hino.

Dois meses é um tempo curto, mas no caso da Educação é precioso demais para ser desperdiçado.