Novo ministério de Dilma só mudará, de fato, na área econômica

Com exceção da entrada de Joaquim Levy, na Fazenda, e Nélson Barbosa, no Planejamento, novos escolhidos pela presidente repetem o perfil da equipe ministerial atual

Marcelo de Moraes

23 de dezembro de 2014 | 16h34

A presidente Dilma Rousseff definiu nessa terça-feira a maior parte de sua futura equipe ministerial para iniciar o segundo mandato. Mexe daqui, coloca de lá, e seu primeiro escalão terá uma cara tremendamente parecida com o perfil de seus auxiliares no primeiro governo. Exceção apenas na equipe econômica, onde o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é um fiscalista, com atribuição de cortar gastos e se alinhava com os líderes tucanos até pouquíssimo atrás. Sua entrada e a de Nélson Barbosa, no Planejamento, são as únicas mudanças de direção dentro do governo. Somados ao presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro Neto, dão uma cara mais fiscalista e quase liberal aos principais postos da economia do governo.

Os demais titulares, independemente de qualidades e defeitos de cada um, representam, rigorosamente, o mesmo perfil de auxiliar que Dilma teve até agora. O PMDB terá seis pastas agora: Minas e Energia, Agricultura, Aviação Civil, Portos, Pesca e Turismo. Vinicius Lages será mantido no Turismo. Os outros cinco são novos. Respectivamente, o senador Eduardo Braga (AM), a senadora Katia Abreu (TO), o deputado Eliseu Padilha (RS), o deputado Edinho Araújo (SP) e o candidato derrotado ao governo do Pará Helder Barbalho, filho do senador Jader Barbalho (PA).

Faz, realmente, muita diferença em relação aos antigos integrantes do PMDB no primeiro escalão, quando contavam Édison Lobão, Neri Geller, Moreira Franco, Garibaldi Alves e o próprio Vinicius Lages? Repetindo: guardadas as qualidades e defeitos de cada um, todos têm o perfil bastante semelhante.

Na Educação, o governador do Ceará, Cid Gomes (PROS), assumirá o controle da pasta. Mas o atual ministro, Henrique Paim, volta a ser o secretário executivo e, na prática, seguirá sendo o gerente da máquina do setor. Na Saúde, Artur Chioro, se mantém,

Dentro do Planalto, o núcleo também continua sendo essencialmente petista. Aloizio Mercadante segue forte na Casa Civil e terá a companhia de Miguel Rossetto na Secretaria Geral da Presidência, no lugar do lulista Gilberto Carvalho. Jaques Wagner será um interlocutor mais próximo de Dilma assumindo a Defesa, no lugar do diplomata Celso Amorim. O petista Pepe Vargas (RS) fará nas Relações Institucionais um papel parecido com o de Ricardo Berzoini na articulação com o Congresso. Deslocado para as Comunicações, Berzoini substitui Paulo Bernardo mantendo o PT à frente da pasta.

As outras distribuições de postos também são variações do mesmo tema, entre elas com o PSD devendo controlar o Ministério das Cidades, PP,  com Integração Nacional, PRB, com Esportes, PC do B, com Ciência e Tecnologia.

Assim, não há dúvidas que a mudança concreta no perfil da equipe acontece apenas na economia. E, mesmo assim, dependerá da autonomia ou não que os novos ministros da área terão em relação à presidente Dilma para indicar os rumos da economia do País.