Eduarda La Rocque poderá ser a primeira mulher a ocupar a Secretaria do Tesouro

Eduarda La Rocque poderá ser a primeira mulher a ocupar a Secretaria do Tesouro

Ex-secretária municipal de Fazenda no Rio de Janeiro, economista é próxima do futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga

Marcelo de Moraes

26 de novembro de 2014 | 11h21

Eduarda La Rocque na caminhada pelo clima, em Nova York em foto publicada na página da economista no Facebook

Eduarda La Rocque na caminhada pelo clima, em Nova York em foto publicada na página da economista no Facebook

Depois de escolher Joaquim Levy para comandar o Ministério da Fazenda durante seu segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff poderá ter, pela primeira vez, uma mulher ocupando um cargo estratégico na equipe econômica. A ex-secretária municipal da Fazenda do Rio de Janeiro e atual presidente do Instituto Pereira Passos (IPP), Eduarda La Rocque, deverá ser a indicada pela presidente para comandar a importante Secretaria do Tesouro Nacional, como revelou hoje o Estado.

É importante destacar que, durante parte do segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na primeira gestão de Dilma, a função foi ocupada por Arno Augustin, que assumiu o posto em 2007 e se tornou um protagonista da equipe econômica durante a gestão de Guido Mantega na Fazenda. Criada em 1986, a Secretaria do Tesouro nunca teve uma mulher no seu comando. Apenas homens, incluindo o próprio Joaquim Levy, titular de janeiro de 2003 a março de 2006, no primeiro mandato de Lula e sob o comando do então ministro da Fazenda Antônio Palocci.

Aos 44 anos, Eduarda tem um currículo reconhecido pelo mercado. Nascida em Uberaba, em Minas Gerais, mas criada e radicada no Rio de Janeiro, ela se graduou e fez doutorado na PUC carioca. Começou a trabalhar no banco BBM, convidada por Sérgio Werlang, e deslanchou na instituição. Responsável pela criação de um sistema de gestão de riscos lhe deu boa fama no mercado e originou a criação de sua empresa, a Risk Control, da qual já se desfez de sua parte em 2008.

A entrada no meio político aconteceu em 2008, durante a campanha municipal do Rio, quando integrou a equipe responsável por bolar o plano econômico do candidato verde Fernando Gabeira. Eduardo Paes acabou se elegendo prefeito e convidou Eduarda para chefiar sua secretaria de Fazenda. Um dos patrocinadores dessa indicação foi justamente Joaquim Levy que, na época era secretário estadual de Fazenda no Rio de Janeiro. O governo era chefiado por Sérgio Cabral Filho, também do PMDB, como Paes. Foi normal que as duas administrações acabassem trocando figurinhas sobre um perfil para a secretaria municipal que dialogasse com o estadual.

Na secretaria municipal, ficou conhecida pela austeridade e pela inovação na gestão, implantando o “Nota Carioca”, semelhante ao “Nota Paulista” para reduzir evasão fiscal no município. Mas chamou mais a atenção quando negociou um inédito empréstimo de US$ 1 bilhão junto ao Banco Mundial – volume inédito nos empréstimos da instituição – que foi decisivo para que a cidade se recuperasse financeiramente e obtivesse grau de investimento dado por três agências internacionais de rating.

Em 2012, assumiu o comando do Instituto Pereira Passos, órgão da prefeitura do Rio, que tem as tarefas de planejamento urbano, produção cartográfica e de estatísticas do Rio.

Eduarda também tem atuação na área do desenvolvimento sustentável e meio ambiente. Na sua página no Facebook, destacou sua participação, em setembro, na caminhada pelo clima, em Nova York, junto com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Segundo sua postagem, “foi o maior protesto sobre o tema nos últimos cinco anos. A movimentação foi para transformar a mudança climática de preocupação ambiental para um assunto de todos. Houve caminhadas como essa em mais 161 países – entre eles o Brasil”, escreveu, publicando também uma foto segurando um cartaz  com os dizeres “climate action now (ação climática agora).