Carlos Guedes deve ir para Desenvolvimento Agrário e Rossetto para Secretaria Geral

Indicações são gestos para setores de esquerda do governo insatisfeitos com nomes ligados ao mercado que vão virar ministros, como Joaquim Levy, Katia Abreu e Armando Monteiro

Marcelo de Moraes

24 de novembro de 2014 | 11h29

Mesmo sem anunciar nenhum nome oficialmente, a presidente Dilma Rousseff segue avançando na montagem de sua equipe ministerial para o segundo mandato. Depois de escolher Joaquim Levy para a Fazenda, Nelson Barbosa para o Planejamento, o senador Armando Monteiro (PTB-PE) para o Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para a Agricultura, a presidente já tem praticamente definidas mais duas escolhas. O atual ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, será deslocado para a Secretaria Geral da Presidência no lugar de Gilberto Carvalho. Para seu lugar no Desenvolvimento Agrário o escolhido será Carlos Guedes, atual presidente do Incra.

A opção pelos dois nomes não é a toa. Ambos são ligados aos setores mais de esquerda do governo. Suas escolhas, dessa forma, funcionariam como um gesto em direção a esses grupos como uma maneira de amenizar as reclamações feitas pelas indicações de Levy, Kátia e Armando, considerados muito próximos do mercado e dos setores produtivos.

Assim, a parte da reforma que será anunciada essa semana deverá ser ampliada para acrescentar dois nomes com perfis mais à esquerda e contrabalançar as quatro indicações anteriores, que formarão uma espécie de espinha dorsal da nova equipe econômica de Dilma.

O problema é que não são apenas os setores à esquerda do governo que se aborreceram com as primeiras escolhas – até agora não anunciadas – feitas por Dilma. No PMDB, existe grande insatisfação pela ida de Kátia Abreu para a Agricultura. A ideia de nomear a senadora passa por um aceno ao setor do agronegócio, já que ela preside a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Só que mesmo nesse segmento existem resistências ao seu nome. Mas o pior é que a indicação foi feita sem o aval do vice-presidente Michel Temer, presidente nacional do PMDB.

Nas conversas iniciais, a tendência seria a de manter o atual ministro Neri Geller no posto, o que agradava aos pemedebistas e a representantes importantes do setor, como o senador Blairo Maggi (PR-MT). Com a mudança de planos, as queixas de aliados apareceram rapidamente.

Outro problema surge com a nomeação de Armando Monteiro. A ideia original era de não nomear para o governo nenhum dos candidatos ao governo que foram derrotados. Assim, fugiria-se do estigma que atrapalhou o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de nomear candidatos derrotados dando ministérios como forma de compensação em vez de escolher pessoas consideradas como as melhores para a função. Armando disputou e perdeu, com o apoio do PT, o governo de Pernambuco. Sua ida para o primeiro escalão reabre uma possibilidade que parecia distante de se criar vagas para candidatos perdedores, como o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, por exemplo, que concorreu em São Paulo.