Em recado duro, Marta Suplicy deixa Cultura pedindo resgate da ‘confiança’ na economia

Tom de carta de demissão da ministra da Cultura surpreendeu ao governo e provocou mal-estar com o Palácio do Planalto

Marcelo de Moraes

11 de novembro de 2014 | 11h38

Na difícil temporada de reformulação de sua equipe ministerial para o segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff acaba de receber um ingrediente extra para ampliar suas dificuldades. Na sua carta de demissão, entregue hoje ao governo, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, deixou o cargo cobrando o resgate da “credibilidade e confiança” na escolha da próxima equipe econômica.

O conteúdo da carta, revelado pelo Blog da Sonia Racy, mostra uma Marta Suplicy disposta a reassumir sua cadeira no Senado com um discurso bem distante de um natural alinhamento ao governo do PT, seu partido. A futura ex-ministra mira diretamente na direção da condução da economia do País e cobra da presidente que seja “iluminada” para escolher os próximos integrantes da equipe econômica do governo.

O tom da despedida de Marta pegou o Palácio do Planalto de surpresa. Especialmente, porque a presidente está fora do País, em viagem que passará hoje pelo Catar e seguirá até Brisbane, na Austrália, onde acompanhará a reunião do G20. Também está sendo considerado por interlocutores da presidente Dilma como bem acima do amistoso e provocou um claro mal estar.

“Todos nós, brasileiros, desejamos, neste momento, que a senhora seja iluminada ao escolher sua nova equipe de trabalho, a começar por uma equipe econômica independente, experiente e comprovada, que resgate a confiança e credibilidade ao seu governo e que, acima de tudo, esteja comprometida com uma nova agenda de estabilidade e crescimento para o nosso país. Isto é o que hoje o Brasil, ansiosamente, aguarda e espera”, diz Marta em sua carta de demissão.

Durante a fracassada campanha petista pelo governo de São Paulo, o PT e o Planalto investiram todas as fichas na tentativa de eleger o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha. O candidato não decolou e teve um desempenho muito abaixo do esperado. Petistas influentes reclamam que uma das razões de Padilha ter ido tão mal foi o fato de o partido e o governo terem praticamente deixado de lado a ajuda política que Marta poderia dar a essa campanha. Ex-prefeita de São Paulo, Marta ainda é um dos principais nomes do PT em São Paulo e poderá ser novamente candidata na eleição de 2016, embora a tendência clara do partido seja apoiar a reeleição do prefeito Fernando Haddad.

 

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