Corrente do PT defende criação de jornal de massas, hegemonia cultural e menos PMDB

Articulação de Esquerda não é majoritária dentro do PT, mas tem capacidade de influenciar decisões do PT, especialmente em propostas que que propõe mudanças na mídia e na formação de alianças que reduzam papel do PMDB

Marcelo de Moraes

30 de outubro de 2014 | 15h43

Logo depois da reeleição da presidente Dilma Rousseff, uma das correntes internas do PT, a Articulação de Esquerda, já se reuniu para fazer balanço das eleições e propor sugestões de ações para o partido e governo. A reunião foi feita  no dia 27 e o texto, com o título “Comemoração e luta!”, traz ideias que podem gerar bastante polêmica. O texto, que ainda está “em debate, sujeito a emendas e correções”, foi publicado no blog de Valter Pomar, um dos principais integrantes da corrente, e que já ocupou diversos cargos importantes no comando nacional do PT.

A Articulação de Esquerda não é uma corrente majoritária dentro do PT, mas tem capacidade de influenciar bastante o rumo dos debates internos do partido. O Diretório Nacional da sigla tem reunião convocada para os dias 28 e 29 de novembro e deflagrará o início das conversas justamente a discussão sobre as prioridades que devem ser defendidas durante o segundo mandato da presidente Dilma. Os representantes da corrente acham que algumas dessas medidas precisam ser discutidas o mais rápido possível e defendem a antecipação da realização do 5º Congresso Nacional do PT para o primeiro trimestre de 2015.

Entre os 51 itens propostos pela corrente, alguns chamam a atenção, como o item 10, que defende a construção de uma “hegemonia cultural”. “Não basta administrar bem, fazendo mais e melhores políticas públicas. É preciso construir hegemonia cultural e fazer reformas estruturais, com destaque para a reforma política e para a Lei da Mídia Democrática”, diz o texto.

No item 28, a proposta é “inicie a construção imediata de um jornal diário de massas e de uma agência de notícias, articulados a mídias digitais (inclusive rádio e TV web), com ação permanente nas redes sociais, que sirvam de retaguarda e de instrumento do campo democrático-popular na batalha de ideias. E integre esta ação de comunicação política com o amplo movimento cultural que está em curso neste País e que foi tão importante no segundo turno”.

O item 29 aborda mais diretamente ainda a questão da proposta de lei da mídia democrática que a corrente defende que o PT apóie. “Relance a campanha pela reforma política e pela mídia democrática, contribuindo para que o governo possa tomar medidas avançadas nestas áreas e para sustentar a batalha que travaremos a respeito no Congresso Nacional”.

A corrente também defende que seja revista a tática política para as eleições municipais de 2016 e as nacionais de 2018, abrindo mão da parceria preferencial com o PMDB, iniciada na primeira vitória de Dilma. “De imediato, isso exige que nossa tática para 2016 e 2018 seja construída tendo como aliado preferencial não o PMDB, mas sim esta esquerda política e social que foi às ruas para garantir nossa vitória. Precisamos organizar uma frente popular, unificando os partidos de esquerda e os movimentos sociais, numa coalizão estratégica para disputar o comando do Estado”, diz o texto.

“Não será um movimento fácil, pois temos o PMDB na vice e com grande influência num Congresso Nacional ainda mais conservador do que em anteriores legislaturas. Mas é um movimento necessário, pois não haverá vitória sem mudança e não haverá mudança tendo o PMDB como aliado prioritário, pois a maior parte do PMDB já opera contra nós há anos”, acrescenta o texto.

 

 

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