No governo, cresce pressão por ministro da Fazenda que priorize política fiscal crível

Preocupação é aumentar a confiabilidade da condução econômica do País e garantir blindagem contra eventuais rebaixamentos do grau de investimento do Brasil

Marcelo de Moraes

29 de outubro de 2014 | 15h32

Enquanto a presidente Dilma Rousseff não anuncia o novo ministro da Fazenda para seu segunda mandato presidencial, cresce a corrente interna que defende que o nome do escolhido é o que menos importa nesse momento. Integrantes desse grupo, que são próximos de Dilma, avaliam que o mais importante é a prioridade que deverá ser dada para o estabelecimento de uma política fiscal que seja considerada confiável e previsível.

Existe a constatação dentro do governo que o cenário externo será bastante difícil nos próximos meses e que isso poderá ser um problema a mais para o Brasil caso a nova equipe econômica não transmita para o mercado esses valores de credibilidade.

A possibilidade de haver um eventual rebaixamento da nota do Brasil em 2015 é vista como um complicador na tentativa de recuperação da economia, que patinou durante todo esse ano em números medíocres de crescimento e enfrentou dificuldades no combate à inflação.

Esse grupo de aliados da presidente teme que sejam repetidas fórmulas já adotadas pela atual equipe econômica, como o anúncio de medidas pontuais que beneficiam apenas determinados setores específicos, através, por exemplo, de desonerações. A avaliação é que essa experiência não funcionou.

Por esse raciocínio, esses aliados acreditam que o futuro ministro precisará ter esse forte perfil de defensor de uma política fiscal consistente pelo menos até 2016. Com esse prazo de dois anos de medidas confiáveis, apostam, poderia ser garantido o resgate da credibilidade da economia brasileira à luz do cenário internacional.

Depois desse período, onde esperam ter conseguido arrumar a casa, aliados de Dilma avaliam que a presidente poderá até optar, se quiser, por substituir o titular da Fazenda, colocando alguém menos conservador no comando da pasta. Antes disso, entendem que a prioridade é garantir a transmissão desse recado de confiabilidade.

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