TCU isenta Dilma de culpa e governo avalia que caso Pasadena perde peso eleitoral

Tribunal responsabilizou apenas executivos da Petrobrás pela negociação considerada prejudicial aos cofres públicos

Marcelo de Moraes

23 de julho de 2014 | 17h38

O governo considerou uma importante vitória política a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de isentar a presidente Dilma Rousseff da responsabilidade pelos supostos prejuízos causados pela compra pela Petrobrás da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Por ser ministra da Casa Civil, na época da negociação, Dilma era justamente a presidente do conselho quando metade da refinaria foi adquirida pela estatal, em 2006.
Assim, existia o temor, dentro do Palácio do Planalto, que o TCU também a responsabilizasse pela compra considerada prejudicial aos cofres da empresa. Por unanimidade, o tribunal considerou que a culpa foi de 11 integrantes da diretoria da estatal.
O governo avalia que se Dilma fosse responsabilizada haveria prejuízos pesados na campanha pela reeleição, ampliando o desgaste de sua imagem. Como o ministro relator José Jorge sempre teve sua trajetória política ligada à oposição, tendo, inclusive, sido candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo tucano Geraldo Alckmin, em 2006, havia a dúvida se ele pouparia ou não a presidente no seu parecer. Mas ele acabou isentando Dilma, apesar de deixar aberta a possibilidade de reconsiderar a decisão caso surjam novos elementos no caso.
Com a votação do TCU, o Planalto aposta que o escândalo da compra da refinaria de Pasadena reduz seu peso na campanha. Existe ainda alguma dúvida sobre o impacto que a condenação de diretores poderá ter, mas, sem qualquer dúvida, nada que se compare ao que ocorreria caso a presidente tivesse sido culpada.
A transação de Pasadena se transformou numa crise dentro do governo depois que Dilma reconheceu, em maio, para o Estadão, que somente aprovara a compra porque recebera informações incompletas sobre os detalhes da operação. E disse que se soubesse de tudo não teria votado a favor do negócio. Foi a primeira vez que alguém admitiu publicamente dentro do governo que a operação tinha sido ruim. O escândalo fragilizou o governo e gerou a abertura de duas comissões parlamentares de inquérito dentro do Congresso, esvaziadas pela intervenção política do Palácio do Planalto.

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