Governo tenta sair das cordas com ida de Graça Foster ao Senado e renúncia de André Vargas

Marcelo de Moraes

15 de abril de 2014 | 09h27

Há um mês, desde que a presidente Dilma Rousseff admitiu ao Estadão que a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás foi autorizada com base num parecer técnico impreciso, o governo não vive um momento de sossego político. Desde então, se desdobra para tentar explicar a sequência de denúncias com supostas irregularidades cometidas em negócios da Petrobrás e luta para impedir que o Congresso instale uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o assunto.

Para piorar, a Operação Lava Jato, feita pela Polícia Federal, foi responsável pela prisão do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. O ultimo personagem acabou comprometendo o vice-presidente da Câmara, o deputado petista André Vargas (PR). Em conversas gravadas pela PF, os dois aparecem supostamente tratando de negócios que ajudariam o doleiro a conseguir vantagens junto ao Ministério da Saúde.

Hoje, com dois movimentos, o governo tenta começar a sair das cordas do canto do ringue e tomar a iniciativa das ações. Sem condições políticas de sustentar sua situação, André Vargas vai renunciar hoje ao mandato. Aconselhado por petistas e por integrantes do governo, Vargas foi convencido que manter o mandato de deputado só serviria para continuar sangrando em praça pública, sem conseguir impedir a cassação dentro da Câmara. De quebra, ainda contribuiria para continuar desgastando também a imagem do governo, já que sempre foi quadro destacado do PT, partido da presidente Dilma Rousseff. Fora do Congresso, Vargas pode cuidar de sua defesa e reconstrução política.

Politicamente, mais importante do que isso, será a participação da presidente da Petrobrás, Graça Foster, em audiência pública no Senado. O governo espera que a fala da dirigente da estatal seja suficiente para reduzir a pressão política pela abertura e instalação da CPI da Petrobrás. Dentro do Palácio do Planalto, é consenso que a sucessão de denúncias contra a companhia não ajudam em nada ao governo, especialmente num período em que as campanhas eleitorais começam a se acirrar. Pior: não deixa espaço para que Dilma possa assumir o andamento normal de sua campanha, ficando refém de uma agenda negativa.

O problema é que as denúncias de irregularidades cometidas na Petrobrás! especialmente envolvendo o ex-diretor Paulo Roberto Costa, são extremamente sérias. O governo sabe disso e vai tentar convencer parlamentares e a opinião pública que pode conduzir as investigações sobre o caso utilizando os mecanismos oficiais, como Polícia Federal, Ministério Público, CGU, além de auditorias internas na própria estatal. O governo também vai argumentar que a oposição deseja abrir a CPI apenas com motivação eleitoral.

Até agora, o governo teve pouco sucesso nas tentativas que fez para retomar as rédeas do jogo político. Quanto mais demorar a conseguir isso, maior poderá ser o dano eleitoral para a presidente Dilma Rousseff.