Governo e Renan sofrem derrota com derrubada da urgência para indicar senador Gim Argelo para TCU

Marcelo de Moraes

08 de abril de 2014 | 19h14

O governo sofreu uma inesperada derrota hoje no Senado, com a rejeição do regime de urgência para a votação da indicação do senador Gim Argelo (PTB-DF) para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). Gim é um dos mais ativos integrantes da base governista e tem relação muito boa com a presidente Dilma Rousseff. Faz parte também do núcleo de aliados mais próximos do presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que sai também derrotado na votação. Mas Gim carrega no currículo seis inquéritos que correm contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF), o que preocupava muitos senadores que se sentiam desconfortáveis em apoiar a indicação justamente para um órgão responsável por investigações.

Com a indicação de Gim para o TCU, o governo quer aumentar sua influência na corte, responsável por relatórios que têm levantado suspeitas sobre obras consideradas estratégicas. Hoje, o tribunal tem uma composição ainda recheada de ex-parlamentares que pertenceram à oposição.

O resultado mostra que o Palácio do Planalto e Renan se descuidaram da votação e subestimaram o humor da base governista. Nem todos os aliados da presidente Dilma estão confortáveis com o clima político atual. Precisam fazer campanha tendo que dar explicações sobre o escândalo da Petrobrás, sobre o envolvimento do deputado federal André Vargas (PT-PR) com o doleiro Alberto Youssef e agora teriam que lidar com o apoio polêmico à indicação de Gim.

Assim, a urgência caiu por apenas um voto, com o resultado de 25 votos contra 24 e duas abstenções. O problema é que a base governista praticamente abandonou o plenário para não apreciar a matéria e deixando Gim entregue à própria sorte. Foram 30 senadores que deixaram de votar, número expressivo que indica que a votação era extremamente polêmica.